{"id":3899,"date":"2020-11-09T12:47:35","date_gmt":"2020-11-09T12:47:35","guid":{"rendered":"https:\/\/nauvitoria.dynu.net\/sdpfp\/?p=3899"},"modified":"2020-11-09T13:03:41","modified_gmt":"2020-11-09T13:03:41","slug":"jornada-diocesana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nauvitoria.dynu.net\/sdpfp\/jornada-diocesana\/","title":{"rendered":"Desafios da Laudato Si"},"content":{"rendered":"<h1>Jornada Diocesana<\/h1>\n<p>Desafios da \u00abLaudato Si\u00bb por<em>\u00a0Frei Vitor Arantes<\/em><br \/>\n26 de Janeiro 2019<\/p>\n<p>\u00abLaudato Si\u00bb e seus desafios. (publicada a 15\/V\/ 2015)<br \/>\nA \u00abCarta da Terra\u00bb afirma logo no pre\u00e2mbulo que \u00abestamos diante dum momento cr\u00edtico da<br \/>\nhist\u00f3ria da terra, numa \u00e9poca em que a humanidade deve escolher o seu futuro\u00bb. A nossa Casa<br \/>\nComum corre graves amea\u00e7as , porque os padr\u00f5es dominantes de produ\u00e7\u00e3o e consumo<br \/>\nest\u00e3o a provocar devasta\u00e7\u00e3o ambiental, esgotamento de recursos e massiva extin\u00e7\u00e3o das<br \/>\nesp\u00e9cies. (Carta da Terra ).O Papa Francisco deu \u00e0 Igreja e ao mundo a \u00abLaudato Si\u00bb, que<br \/>\nGael Giroud considera o \u00abtexto mais importante que o Magist\u00e9rio da Igreja publicou depois do<br \/>\nVaticano II\u00bb. Com estilo acess\u00edvel e rigor cient\u00edfico, o Papa enfrenta a generalidade dos<br \/>\nproblemas ecol\u00f3gicos do mundo, j\u00e1 tratados, em parte, em muitas inst\u00e2ncias nacionais e<br \/>\ninternacionais. Em 2013, na rece\u00e7\u00e3o ao Presidente do Equador , o Papa Francisco deixara<br \/>\nfrase, que correu mundo:: \u00abDeus perdoa sempre; homem, algumas vezes; a Natureza,<br \/>\nNUNCA\u00bb. Com esta ideia de que com a \u00abNatureza\u00bb n\u00e3o se brinca, a enc\u00edclica exorta crentes e<br \/>\nn\u00e3o crentes a parar rapidamente alguns comportamentos, que podem levar \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o<br \/>\nnosso planeta. Em Dezembro passado, durante a Cimeira do Clima em Katowice (Pol\u00f3nia),<br \/>\nAnt\u00f3nio Guterres, Secret\u00e1rio Geral da ONU, lembrava aos participantes que \u00abn\u00e3o chegar a um<br \/>\nacordo global das na\u00e7\u00f5es, n\u00e3o seria apenas imoral, seria um suic\u00eddio\u00bb. Tamb\u00e9m o Papa<br \/>\nFrancisco, logo a abrir a Enc\u00edclica, escreveu que a \u00abnossa irm\u00e3 Terra clama contra o mal<br \/>\nque lhe provocamos por causa do uso irrespons\u00e1vel dos bens que Deus nela colocou\u00bb<br \/>\n(LS.2). E acrescenta que se torna urgente salvar nossa \u00abterra oprimida e devastada, que<br \/>\n\u00abgeme e sofre as dores do parto\u00bb (Rm 8,22. Idem. 2)). Est\u00e1 em causa a sobreviv\u00eancia da<br \/>\npessoa humana. Perante situa\u00e7\u00f5es como a dos res\u00edduos n\u00e3o reciclados,(22), do<br \/>\naquecimento global, da subida de n\u00edvel dos mares e da fus\u00e3o dos gelos polares, da<br \/>\ndesfloresta\u00e7\u00e3o (24) e altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, que provocam as migra\u00e7\u00f5es(25), da escassez de<br \/>\n\u00e1gua pot\u00e1vel (28,30), e elimina\u00e7\u00e3o da biodiversidade (33,34), ningu\u00e9m pode ficar de bra\u00e7os<br \/>\ncruzados. Merecem palavra de elogio os respons\u00e1veis da Pastoral da Fam\u00edlia, que<br \/>\ndedicaram este jornada a um tema t\u00e3o candente como este: \u00abA Fam\u00edlia cuida da casa<br \/>\ncomum\u00bb. Por minha parte, procurarei elencar, entre outros, cincos desafios que a \u00abLaudato<br \/>\nSI\u00bb nos coloca. Outros muitos poder\u00edeis encontrar.<br \/>\n1. O desafio da corresponsabilidade de todos pela salva\u00e7\u00e3o do planeta.<br \/>\nTrata-se duma ideia transversal a toda a Enc\u00edclica \u00abLaudato Si\u00bb. Apesar de tantos<br \/>\nalertas, falta ainda uma consci\u00eancia claramente assumida, por parte dos indiv\u00edduos, das<br \/>\ncoletividades e das na\u00e7\u00f5es, quanto \u00e0 gravidade dos problemas, que afetam a Cria\u00e7\u00e3o.<br \/>\nJ\u00e1 \u00ab Carta da Terra\u00bb de 2.000 avisava que \u00abcada um de n\u00f3s compartilha a<br \/>\nresponsabilidade pelo presente e pelo futuro bem-estar da fam\u00edlia humana e de todos os<br \/>\nseres vivos\u00bb. A nossa sociedade, seduzida por consumismo voraz, na \u00e2nsia de possuir,<br \/>\ntudo parece sacrificar ao mito do progresso. Edward Wilson classifica, por isso, o homem<br \/>\nmoderno como \u00abassassino planet\u00e1rio\u00bb, que d\u00e1 cabo da biodiversidade e transforma o \u00c9den<br \/>\nnum \u00abparaiso perdido\u00bb. J\u00e1 Paulo VI avisava a sociedade do perigo duma \u00abcat\u00e1strofe<br \/>\necol\u00f3gica como resultado da civiliza\u00e7\u00e3o industrial\u00bb (LS.4). Nossas grandes cidades,<br \/>\nenvoltas num manto negro de polui\u00e7\u00e3o, est\u00e3o a tornar-se irrespir\u00e1veis. J\u00e1 se tornou normal<br \/>\nem muitas o uso de m\u00e1scaras. A sociedade, numa inconsci\u00eancia dram\u00e1tica, continua a<br \/>\napostar no luxo, esquecendo que isso conduz ao lixo. (Roma 13.1.2019)) Na \u00abLaudato<br \/>\nSi\u00bb, o Papa lembra que o mundo est\u00e1 a \u00abtransformar-se cada vez mais num imenso<br \/>\ndep\u00f3sito de lixo\u00bb. Todo o cap\u00edtulo I da \u00abLaudato Si\u00bb apresenta, com grande realismo, a<br \/>\nsitua\u00e7\u00e3o deplor\u00e1vel em que se encontra nossa Casa Comum, que exige que pessoas, pa\u00edses,<br \/>\nmultinacionais, coletividades, associa\u00e7\u00f5es, fam\u00edlias, mudem de atitude. Importa reagir. . O<br \/>\n\u00abJornal de Not\u00edcias\u00bb, de 24 de Dezembro, informava que milh\u00e3o e meio de franceses<br \/>\nsubscreveram um documento para levar o Estado Franc\u00eas a tribunal, por ina\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica,<br \/>\nporque nada faz para impedir o aquecimento global. Faz falta que muitos outros de<br \/>\ntodos os pa\u00edses comecem a reagir. Hoje faz falta juntar-nos ao \u00abmovimento dos<br \/>\nindignados\u00bb, que j\u00e1 se decidiram lutar a salvar o planeta. O Papa Francisco lan\u00e7a, por<br \/>\nisso, \u00abconvite urgente a renovar o di\u00e1logo sobre a maneira como estamos a construir o futuro do<br \/>\nPlaneta\u00bb (LS.14)<br \/>\n2. Desafio da convers\u00e3o ecol\u00f3gica.<br \/>\nPerante a gravidade dos problemas ecol\u00f3gicos<br \/>\ndescritos no cap\u00edtulo I da \u00abLaudato Si\u00bb &#8211; O que est\u00e1 a<br \/>\nacontecer na nossa Casa\u00bb- um desafio bem dif\u00edcil<br \/>\nnos \u00e9 colocado. Como inverter tal situa\u00e7\u00e3o? A<br \/>\nenc\u00edclica \u00e9 clara: imp\u00f5e-se uma convers\u00e3o ecol\u00f3gica,<br \/>\nou seja, decis\u00e3o, pessoal e comunit\u00e1ria em assumir<br \/>\num projeto de mudan\u00e7a. Isso implica por um lado, mudan\u00e7a de atitude comportamentais<br \/>\ne, ao mesmo tempo, \u00abmudan\u00e7a do paradigma tecnocr\u00e1tico dominante, pelo lugar que ele<br \/>\nocupa no ser humano e sua a\u00e7\u00e3o no mundo\u00bb (LS.101). \u00abOu nos decidimos todos a tomar<br \/>\na s\u00e9rio a defesa da Casa Comum, ou seremos as pr\u00f3ximas v\u00edtimas duma Natureza revoltada.<br \/>\nAfirma o Papa Francisco que \u00abse a atual tend\u00eancia se mantiver, este s\u00e9culo poder\u00e1 ser<br \/>\ntestemunha de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas inauditas e de uma destrui\u00e7\u00e3o sem precedentes dos<br \/>\necossistemas com graves consequ\u00eancias para todos n\u00f3s\u00bb (LS 24). S. Jo\u00e3o Paulo II, j\u00e1 h\u00e1<br \/>\n20 anos, exortava os crist\u00e3os e a humanidade a uma \u00ab\u00b4convers\u00e3o ecol\u00f3gica global\u00bb. Muitas<br \/>\ndestas situa\u00e7\u00f5es radicam no \u00abconsumismo desenfreado, nascido da mera l\u00f3gica do ter \u00bb, pelo<br \/>\nse torna necess\u00e1rio: criar um \u00abmecanismo de mudan\u00e7a e de convers\u00e3o comunit\u00e1ria\u00bb (LS<br \/>\n219). Como nunca antes na hist\u00f3ria, o destino comum pede um come\u00e7ar de novo. (CT) Nosso<br \/>\necosistema encontra-se doente, com febre e precisa de cura. Uma Declara\u00e7\u00e3o Budista<br \/>\nafirma que \u00abquando a Terra adoece, tamb\u00e9m n\u00f3s adoecemos, porque fazemos parte dela\u00bb<br \/>\n((EF.Martin Nu\u00f1ez. p.241). \u00abIsto requer uma mudan\u00e7a de mente e de cora\u00e7\u00e3o. (CT) A enc\u00edclica<br \/>\nvai mais longe, afirmando a necessidade \u00abduma nova rela\u00e7\u00e3o com a natureza, que s\u00f3 \u00e9<br \/>\nposs\u00edvel, se houver \u00abum novo ser humano\u00bb (118), que, por sua vez, implica purificar o \u00ab<br \/>\npr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o e seu relacionamento com a Cria\u00e7\u00e3o\u00bb (LS.216). N\u00e3o se pode \u00abpretender<br \/>\nsanar nossa rela\u00e7\u00e3o com a Natureza e com o ambiente sem sanar todas as rela\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas do<br \/>\nser humano\u00bb (LS.119), incluida a rela\u00e7\u00e3o com Deus. H\u00e1 necessidade duma educa\u00e7\u00e3o para a<br \/>\nsobriedade.(LS.332), que implica mudan\u00e7as profundas \u00abnos estilos de vida, nos modelos de<br \/>\nprodu\u00e7\u00e3o e consumo, nas estruturas consolidadas do poder que hoje regem as sociedades\u00bb.<br \/>\nA crise ambiental n\u00e3o resulta apenas de causas f\u00edsicas, mas de conden\u00e1veis com portamentos<br \/>\nhumanos\u00bb ( EF. MN.48)<br \/>\n3.Desafio do Bem Comum.<br \/>\nUm terceiro desafio da \u00abLaudato Si\u00bb \u00e9 um convite vigoroso \u00e0 urg\u00eancia de colocar o<br \/>\nbem comum acima dos interesses individuais ou mesmo nacionais, se queremos mesmo<br \/>\nsalvaguardar a Natureza. A Casa Comum, pertence a todos, n\u00e3o pode ser posse de<br \/>\nalguns. Cidad\u00e3os, coletividades e estados, t\u00eam o dever de lutar por um planeta mais<br \/>\nsaud\u00e1vel, porque assim o exige o bem comum (157). ), porque \u00e9 essa a finalidade da<br \/>\nsociedade e do estado.(LS 157). A interdepend\u00eancia entre a pessoa humana e a natureza \u00e9<br \/>\ntal que qualquer agress\u00e3o a algum elemento dum ecossistema prejudicaria o resto da<br \/>\ncria\u00e7\u00e3o e o bem da pr\u00f3pria sociedade. O direito de possuir, administrar e usar os recursos<br \/>\nnaturais implica tamb\u00e9m o \u00abdever de prevenir os danos do meio ambiente e de proteger os<br \/>\ndireitos das pessoas\u00bb. (Carta da Terra). A \u00abLaudato Si\u00bb cita os bispos portugueses, segundo os<br \/>\nquais o bem comum \u00ab\u00e9 um empr\u00e9stimo que cada gera\u00e7\u00e3o recebe e deve transmitir \u00e0<br \/>\ngera\u00e7\u00e3o seguinte\u00bb (CEP 15\/9\/2003 (LS.15). Lipovetsky (Era do Vazio), atribui o vazio do<br \/>\nbem comum \u00e0 sociedade, que promove o individualismo como ideal de felicidade e que se<br \/>\nlimita \u00e0 defender interesses particulares e o lucro duns poucos em preju\u00edzo do bem de<br \/>\ntodos. \u00abAs corpora\u00e7\u00f5es multinacionais e organiza\u00e7\u00f5es financeiras internacionais devem<br \/>\natuar com transpar\u00eancia em benef\u00edcio do bem comum e ser responsabilizadas pelas<br \/>\nconsequ\u00eancias das suas atividades \u00bb (CT). Mais, a defesa da Casa Comum \u00e9 importante<br \/>\nn\u00e3o s\u00f3 para a sociedade atual, mas tamb\u00e9m para as gera\u00e7\u00f5es futuras. \u00c9 dever de<br \/>\ntodos deixar um planeta habit\u00e1vel para a humanidade, que vir\u00e1 depois de n\u00f3s\u00bb (LS.160).).<br \/>\nFelizmente, percorreu-se j\u00e1 um longo caminho na consci\u00eancia de que o Bem Comum exige<br \/>\nque defendamos a sa\u00fade do \u00abPlaneta, casa comum da sociedade\u00bb (164). S\u00e3o j\u00e1 muitas as<br \/>\norganiza\u00e7\u00f5es internacionais, que se batem pelo bem comum dum planeta mais digno para o<br \/>\nhomem. Evoquemos as diversas Cimeiras internacionais, como a Confer\u00eancia de<br \/>\nEstocolmo (1972), de Joanesburgo (2002), o Cume da Terra (Rio 20o2) e mais recentemente,<br \/>\na Confer\u00eancia sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas (Paris, 2015). a publica\u00e7\u00e3o da Carta da Terra<br \/>\n(Haia. 2.000). A n\u00edvel das religi\u00f5es evoquemos a Assembleia Ecum\u00e9nica de Seul (1990), que<br \/>\npede aos crist\u00e3os para trabalhar por uma nova ordem, a partir do seu pacto com o Criador,<br \/>\nbase de toda a cria\u00e7\u00e3o\u00bb!<br \/>\n4.Desafio da Ecologia integral.<br \/>\nComentado [FV1]:<br \/>\nA \u00abLaudato Si\u00bb apresenta-nos um quarto desafio: a necessidade de promover uma<br \/>\necologia integral. Na defesa da casa comum n\u00e3o podemos limitar nossa preocupa\u00e7\u00e3o<br \/>\na um ou outro elemento da cada ecossistema. Temos de fomentar uma ecologia integral ,<br \/>\nque respeite todas as suas dimens\u00f5es: ambiental, cultural, social, econ\u00f3mico, pol\u00edtico,<br \/>\nantropol\u00f3gico, espirituais (LS.137). Creio que o casal Virg\u00ednia e Pedro ter\u00e1 desenvolvido<br \/>\nexaustivamente este tema. Na ecologia integral todos os elementos da natureza,<br \/>\nqu\u00edmicos, f\u00edsicos, biol\u00f3gicos, humanos, est\u00e3o de tal forma interrelacionados entre si e com as<br \/>\nesp\u00e9cies, que a agress\u00e3o a algum deles , prejudica a todos. Precisa-se, ent\u00e3o, duma vis\u00e3o<br \/>\nabrangente, que valorize a interdepend\u00eancia org\u00e2nica de tudo o que existe (EF. MN. 242),<br \/>\nporque at\u00e9 a \u00ables\u00e3o de solidariedade e da amizade c\u00edvica provocam danos ambientais.\u00bb<br \/>\n(142). Um exemplo: a 23 de Dezembro (2018) a TSF informava que em Andaluzia, com a<br \/>\nintrodu\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas na apanha da azeitona, se estava a verificar verdadeira<br \/>\nmortandade das aves: dois milh\u00f5es de aves mortas. Para uma ecologia integral devem<br \/>\nvalorizar-se gestos e atitudes simples e ao alcance de cada um, como promover a<br \/>\nlimpeza das ruas. Aqui \u00e9 de todo importante real\u00e7ar a tarefa da Fam\u00edlia para sensibilizar<br \/>\nas gera\u00e7\u00f5es mais novas na necessidade de proteger os bairros perif\u00e9ricos, os parques,<br \/>\nos rios e os mares. Precisa-se mais do que uma \u00abcidadania ecol\u00f3gica\u00bb, que se limita a<br \/>\ninformar, sem formar.(LS.211) Mais do que nunca importa sensibilizar as gera\u00e7\u00f5es novas<br \/>\npara a necessidade de limitar do uso do carro particular, de limitar o recurso aos<br \/>\npl\u00e1sticos, a tudo que possa poluir a atmosfera, os solos, os rios e os oceanos. A Fam\u00edlia tem<br \/>\nhoje papel importante na luta por cidades mais limpas e acolhedoras, fomentando uma<br \/>\nverdadeira \u00abecologia do homem\u00bb. (Anedota. Num servi\u00e7o p\u00fablico de Espanha, puseram<br \/>\njunto da escova da sanita este aviso. \u00abLembre-se que esta escova n\u00e3o \u00e9 para limpar os<br \/>\ndentes. Use-a\u00bb!).<br \/>\n5. Quinto Desafio. Uma espiritualidade ecol\u00f3gica.<br \/>\n. O Papa lan\u00e7a aos crist\u00e3os, com esta Enc\u00edclica ainda um \u00abgrande desafio cultural,<br \/>\nespiritual e educativo, que implicar\u00e1 longos processos de regenera\u00e7\u00e3o\u00bb, que \u00e9 uma<br \/>\necologia de dimens\u00e3o espiritual. \u00abA espiritualidade crist\u00e3 prop\u00f5e uma forma alternativa de<br \/>\nentender a qualidade de vida, encorajando um estilo de vida prof\u00e9tico e contemplativo, capaz de<br \/>\ngerar profunda alegria, sem estar obcecado pelo consumo\u00bb (LS.222). Como exemplo real desta<br \/>\nespiritualidade ecol\u00f3gica aponta S. Francisco , quando comparava a Terra, \u00ab ora a uma irm\u00e3,<br \/>\ncom quem se partilha a exist\u00eancia, ora a uma boa m\u00e3e, que nos acolhe nos seus bra\u00e7os\u00bb (LS.<br \/>\n1). Tal \u00abespiritualidade ecol\u00f3gica\u00bb brota das \u00ab convic\u00e7\u00f5es de f\u00e9\u00bb (216). Segundo o Papa, S.<br \/>\nFrancisco soube testemunhar uma \u00abecologia integral , que requer abertura para<br \/>\ncategorias, que transcendem a linguagem das ci\u00eancias exatas\u00bb (LS.11). Podemos<br \/>\napresentar como c\u00f3digo deste espiritualidade o \u00abC\u00e2ntico das Criaturas\u00bb. no qual S. Francisco<br \/>\ntrata como irm\u00e3os e irm\u00e3s o sol, a lua, as estrelas, a \u00e1gua, a m\u00e3e terra e a pr\u00f3pria morte,<br \/>\noferecendo-nos original ecologia de fraternidade universal. Gabriel d\u2019Anunzio afirmou que<br \/>\ndaria, de bom grado, todos os seus poemas pelo \u00abC\u00e2ntico das Criaturas. E S. Boaventura , ao<br \/>\nprocurar os fundamentos desta espiritualidade, assinala que S. Francisco, \u00abao considerar a<br \/>\norigem comum de todas as coisas, a todos tratava com o doce nome de irm\u00e3os e irm\u00e3s\u00bb.<br \/>\nconvidando-as a louvar o Senhor como se foram racionais (11). E acentua que, por sua<br \/>\nrela\u00e7\u00e3o a Cristo, S. Francisco recupera a Fraternidade universal que tinha sido desfeita pelo<br \/>\npecado das origens, reencontrando o sentido luminoso<br \/>\nda cria\u00e7\u00e3o. (Selecciones. P. 3). Seu bi\u00f3grafo Tom\u00e1s de<br \/>\nCelano, escreve que S. Francisco fala com os seres, vivos<br \/>\nou n\u00e3o, atrav\u00e9s duma linguagem rica e expressiva, como se<br \/>\nde \u00abseres dotados de raz\u00e3o\u00bb se tratasse (1 Cel.,81). De<br \/>\nfacto, para S. Francisco a Natureza \u00e9 \u00ab um livro<br \/>\nespl\u00eandido, donde Deus nos fala e nos transmite algo da<br \/>\nsua Beleza e Bondade\u00bb (LS. 12). Segundo Eloi Leclerc,<br \/>\n\u00abos seres e as coisas em S. Francisco adquirem valor de<br \/>\nsinais, que dizem alguma coisa de essencial, que interessa ao destino do homem. Convertemse<br \/>\nem linguagem que lhes fala do sentido luminoso da Cria\u00e7\u00e3o\u00bb. (Selecciones\u00bb art. Jesus<br \/>\nMontes p. 3). Com o C\u00e2ntico das Criaturas S. Francisco recupera a ideia do \u00abparaiso<br \/>\nterreal\u00bb, recuperando a harmonia e a bondade de todos os seres criados. O paradigma<br \/>\ndo mundo de t\u00e9cnica e do progresso, manipula a Cria\u00e7\u00e3o. S. Francisco encara a Terra com o<br \/>\nolhar de Deus Criador, que liberta a Cria\u00e7\u00e3o, oferecendo-nos uma vis\u00e3o sacramental do<br \/>\nmundo como mist\u00e9rio de comunh\u00e3o. A partir da\u00ed, a teologia franciscana ensina que toda a<br \/>\nCria\u00e7\u00e3o se ordena a Cristo cume do processo c\u00f3smico, que faz do Universo Sacramento<br \/>\nda presen\u00e7a escondida de Deus! O mundo transforma-se para Francisco em catedral e<br \/>\nostens\u00f3rio gigantesco, onde adora o seu Senhor. O homem que amansou o lobo de<br \/>\nG\u00fabio, que conversava com a irm\u00e3 cotovia e com o irm\u00e3o falc\u00e3o, que convidava a irm\u00e3<br \/>\nlua e o irm\u00e3o sol, o irm\u00e3o fogo, a irm\u00e3 \u00e1gua e a nossa m\u00e3e Terra a louvar o Senhor,<br \/>\ninaugura uma fraternidade tel\u00farica e c\u00f3smica, num universo reconciliado.<br \/>\n* Atrav\u00e9s de S. Francisco, descobrimos n\u00e3o s\u00f3 a sacralidade do mundo, mas uma vis\u00e3o m\u00edstica<br \/>\ndo Universo! O Universo, Sacramento da presen\u00e7a escondida de Deus, constitui o espa\u00e7o onde<br \/>\ntodos devemos aprender a viver fraternalmente com toda a Cria\u00e7\u00e3o. LOUVADO SEJAS, MEU<br \/>\nSENHOR!<br \/>\nConclus\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desafio da corresponsabilidade de todos pela salva\u00e7\u00e3o do planeta.<br \/>\nTrata-se duma ideia transversal a toda a Enc\u00edclica \u00abLaudato Si\u00bb. Apesar de tantos<br \/>\nalertas, falta ainda uma consci\u00eancia claramente assumida, por parte dos indiv\u00edduos, das<br \/>\ncoletividades e das na\u00e7\u00f5es, quanto \u00e0 gravidade dos problemas, que afetam a Cria\u00e7\u00e3o.<br \/>\nJ\u00e1 \u00ab Carta da Terra\u00bb de 2.000 avisava que \u00abcada um de n\u00f3s compartilha a<br \/>\nresponsabilidade pelo presente e pelo futuro bem-estar da fam\u00edlia humana e de todos os<br \/>\nseres vivos\u00bb.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":3902,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[88,102],"tags":[],"class_list":{"0":"post-3899","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-noticias-diocesanas","8":"category-jornada-diocesana","9":"czr-hentry"},"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/nauvitoria.dynu.net\/sdpfp\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Desafios-Laudato_Si-1.png",627,327,false],"thumbnail":["https:\/\/nauvitoria.dynu.net\/sdpfp\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Desafios-Laudato_Si-1-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/nauvitoria.dynu.net\/sdpfp\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Desafios-Laudato_Si-1-300x156.png",300,156,true],"medium_large":["https:\/\/nauvitoria.dynu.net\/sdpfp\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Desafios-Laudato_Si-1.png",627,327,false],"large":["https:\/\/nauvitoria.dynu.net\/sdpfp\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Desafios-Laudato_Si-1.png",627,327,false],"1536x1536":["https:\/\/nauvitoria.dynu.net\/sdpfp\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Desafios-Laudato_Si-1.png",627,327,false],"2048x2048":["https:\/\/nauvitoria.dynu.net\/sdpfp\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Desafios-Laudato_Si-1.png",627,327,false],"tc-grid-full":["https:\/\/nauvitoria.dynu.net\/sdpfp\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Desafios-Laudato_Si-1.png",627,327,false],"tc-grid":["https:\/\/nauvitoria.dynu.net\/sdpfp\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Desafios-Laudato_Si-1.png",570,297,false],"tc-thumb":["https:\/\/nauvitoria.dynu.net\/sdpfp\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Desafios-Laudato_Si-1.png",270,141,false],"slider-full":["https:\/\/nauvitoria.dynu.net\/sdpfp\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Desafios-Laudato_Si-1.png",627,327,false],"slider":["https:\/\/nauvitoria.dynu.net\/sdpfp\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Desafios-Laudato_Si-1.png",627,327,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"SDPF","author_link":"https:\/\/nauvitoria.dynu.net\/sdpfp\/author\/sdpf\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O desafio da corresponsabilidade de todos pela salva\u00e7\u00e3o do planeta. 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